A memória, a História da Arte, a cultura popular, a representação do corpo humano, a tentativa de equilibrar tendências opostas, são os pilares da construção das minhas obras, mas não o ponto de origem, esse fica reservado à busca por uma homeostasia interior. Num mundo exterior tomado pela instabilidade, onde sou, somos todos, forçados a conviver diariamente com o inconcebível, é de grande valor, a possibilidade de me voltar para o trabalho artístico, como se me voltasse para a própria alma, para um mundo interno e seguro.

Do contraste desses mundos nascem obras que tendem à combinação eclética, de múltiplas referências, integrando elementos aparentemente incompatíveis e de proveniências muitas vezes opostas ou com reminiscências de uma ruralidade já quase perdida.

O seu desenvolvimento acontece na confluência entre as forças fundamentais da Natureza e o lugar do ser humano como um elemento, entre outros, de um contexto mais amplo, entre fenómeno e essência, acção e resultado, numa procura de representação simbólica das complexidades da vida, inserida numa sociedade tecnicamente avançada mas em crescentes dificuldades em termos humanos, e do lugar que ela ocupa no Universo.